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Gira Discos

Um blog sobre discos, daqueles que tocam, em vinil.

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"Forever Changes" Love, 1967

Forever Changes é um disco nascido do Verão do Amor ou mais precisamente, do Summer of Love, o Verão de 1967, quando milhares de pessoas rumaram para os lados de São Francisco, nos Estados Unidos da América, em busca da comunhão do ideal Hippie. Mas, contrariamente ao que se possa pensar, Forever Changes não é um disco de Paz e Amor.

 

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Em 1967 os Love (banda de rock psicadélico norte-americana de, até então, moderado sucesso) estavam a desmoronar-se… O abuso de substâncias estupefacientes e as recorrentes discussões entre os membros da banda faziam prever um fim próximo. Mas o fim que estava para chegar e que os Love anunciavam era outro: o fim da era dourada do Flower Power.


Quem prestasse atenção à contracapa do disco, iria reparar que na fotografia da banda o vocalista, Arthur Lee, segura uma jarra com uma flor. Mas a jarra está partida. A flor não vai sobreviver.

 

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Em Forever Changes não encontramos a bonança depois da tempestade. Para quem o escutar com um sentido em mente, mais facilmente encontra a tempestade propriamente dita.


O maior sucesso do disco é a música de abertura, Alone Again Or, presente na lista das 500 maiores canções de sempre da Rolling Stone, e logo essa marca o tom, com uma sonoridade próxima do Flamengo (a mãe de um dos guitarristas da banda era dançarina de Flamengo), que enérgica e poderosa, contrasta com a história, de alguma forma triste, do apaixonado que tantas vezes espera pelo seu amor, enquanto este resolve fazer o que quer que seja que lhe apetece, deixando-o sozinho, mais uma vez. É assim o amor. Extrapolem a ideia.

 

I will love you forever. Forever changes

 

Os Love pareciam querer dizer a toda a gente que a ilusão tinha que acabar, que não é por acreditar, sentado, que o mundo muda, que o Homem se torna bom. Como diz a música, as notícias de hoje serão um filme amanhã. Nada mais.


As guerras iriam continuar, nas ruas morria cada vez mais gente, as tensões raciais estavam ao rubro, os ghettos não paravam de crescer. A cada música que o disco nos leva, leva-nos também, de forma mais ou menos explicita, a cada uma destas realidades.


Por vezes, a única forma de despertar, de deixar o estado letárgico a que certas convicções nos levam, é o corte abrupto. Até isso está presente quando uma das músicas termina com a agulha que salta ou a fita que se enrola até que a música para de vez, e logo após os últimos versos que nos diziam que o Verão tinha chegado, e que havia flores por todo o lado pela manhã… Ou então não.

 

 

Forever Changes não foi um sucesso de vendas imediato, e é fácil perceber porquê: a desilusão (no sentido da ilusão que se destrói, que termina) nem sempre é fácil de aceitar. A ilusão tem os seus encantos e os encantados tendem a não querer ser “desiludidos”. No entanto, é hoje entendido pela crítica como um dos melhores discos da sua época assim como os Love são considerados uma das mais importantes bandas da altura.


Este disco de vinil é a edição comemorativa dos 45 anos de Forever Changes, editada pela Rhino Records, e veio da FNAC.

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