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Gira Discos

Um blog sobre discos, daqueles que tocam, em vinil.

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"Darkness on the Edge of Town" Bruce Springsteen, 1978

Darkness on the Edge of Town é o disco de Bruce Springsteen que se segue a Born to Run e isso, só por si, representa já um desafio dos grandes. Três anos antes, em 1975, Born to Run começava a moldar e mostrar ao mundo os personagens que ainda hoje pululam pelas canções de Bruce Springsteen, sonhadores em busca do American Dream que por uma razão ou outra pareciam nunca o encontrar. Mas não havia problema nisso, a Liberdade estava ali, mesmo à mão. Agora era altura de avançar. O sonho sim, é bom, mas a realidade pede para estar presente à mesa.

 

Darkness on the Edge of Town no Gira Discos

 

Darkness on the Edge of Town passa ao lado, ou melhor dizendo, por cima do encantamento e chega como um abrir de olhos. A vida afinal é um pouco mais dura, um pouco mais escura, do que a cantam os trovadores.


O disco surge para Bruce Springsteen como que numa reacção ao seu próprio sucesso. Se o Born o Run o procurava, se ele o alcançou, é agora altura de lembrar que nem só nas estrelas se vive. Este novo disco vem assim, de alguma forma, prestar homenagem ao americano comum, que levando a sua vida dia-a-dia, procura a serenidade e fica feliz com isso.

 

Darkness on the Edge of Town ou a chegada do realismo a Bruce Springsteen

 

A música que abre o lado A do disco, Badlands, deixa claro o quão simples pode ser a felicidade quando Springsteen canta “For the ones who had a notion, A notion deep inside, That it ain't no sin to be glad you're alive”. Porque não? Estar vivo é uma boa razão para sorrir.


Mais à frente temos Something in the night com um som que nos envolve, daqueles que em tempos nos levaria a acender o isqueiro no ar, isto ao mesmo tempo que ouvimos “Nasces com nada e estás melhor assim, pois assim que tens alguma coisa eles mandam alguém para te o tentar tirar, levar para longe”. That’s life diriam alguns hoje.


Ao ouvirmos Candy’s Room, nós, que vivemos na década de 70 e 80 do século passado, lembramos facilmente filmes que vimos, letras que ouvimos, pessoas que conhecemos, gente que se se perdeu mesmo quando a seu lado tinha quem lhe quisesse mostrar a direcção por onde ir. E pensamos “quem se terá perdido realmente?”.


Prove it all night é uma daquelas músicas “à Bruce”, com um sax a abrir na hora certa, mas nem por isso deixa de dizer o que é preciso. Queremos mais, merecemos mais e era bom que os sonhos se tornassem realidade mas a vida é o que é e se queres, bem, se queres pagas.


A canção que dá nome ao disco, Darkness on the Edge of Town, termina a peça, como que num encerramento daqueles em que se espera o pano a cair, sem encore. Canta Bruce Springsteen que algumas pessoas nascem com uma boa vida e que outras se vão safando. Há outras ainda que perdem muito do que têm. Ainda assim, em algum momento, todas elas podem ser encontradas, lá ao fundo, na escuridão nos limites da cidade…


Sim, eu sei, são as minhas interpretações, baseadas nas minhas vivências e na relação destas com os momentos em que ouvi as músicas mas, isso não faz delas, pelo menos para mim, menos reais.


Darkness on the Edge of Town, presente na lista da Rolling Stone dos 500 melhores albuns de sempre, não tendo sido o maior dos sucessos comerciais de Bruce Springsteen, é na minha opinião um dos seus melhores discos.

 

Não é o mais fácil de ouvir mas vale a pena uma escuta atenta pois é um definitivamente um marco, preparando-nos a todos para o que esperar daquele a quem por alguma razão chamam “The Boss”.

 

 

Este disco de vinil é uma edição original, de 1978, e veio da Feira da Ladra.

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